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A Falange dos Médicos do Astral

( Também chamado de “ Trabalho de Oriente” )

 

Em nosso Templo esse trabalho é coordenado no astral pelos falangeiros de S.Francisco de Assis

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( Edmundo Pelizzari )

 

Vamos estudar um pouco, uma Fa­­lange bem conhecida dentro da Um­banda, relacionada com a Linha do Oriente e normalmente colocada na sétima hierarquia da mesma: a Fa­lange dos Médicos ou Curadores.

Comandada pelo sábio José de Ari­matéia (Yosef Ha-Aramataiym em he­braico), um discípulo oculto do Mes­tre Jesus, ela agrupa inúmeros tera­peu­tas do corpo e da alma.

Tradições ocultas nos contam que José, um rico membro do tribunal rabí­nico de Jerusalém, depois de conse­guir um lugar para Jesus ser sepul­tado, viajou para o Ocidente trazendo o Santo Graal.

Ele teria aportado nas costas britâ­nicas com alguns discí­pulos, sal­vando o objeto mais precio­so do Cristia­nismo. José de Arimatéia, ao chegar on­de hoje é a Inglaterra no ano de 36 D.C., encontrou lá os poderosos sa­cer­do­tes druidas e fez uma especial tro­ca de ensinamentos e segredos eso­téricos. 

Desde então, uma miste­rio­­sa escola nasceu e continuou pelos séculos. A Umbanda brasileira, legí­tima her­deira do esoterismo cristão, tam­bém trabalha espiritualmente com es­ta herança. 

A Linha do Oriente, que contém a Falange de José e a Falange dos Europeus  demons­tra esta riqueza admirável.

A Falange dos Médicos do Astral é uma egrégora composta de cen­tenas de trabalhadores espirituais.  Na maioria das vezes, eles foram em suas últimas vidas, médicos, curan­dei­ros, raizeiros, benzedores e reza­dores. Este exército de caridade é clas­­­si­ficado em sete agrupamentos ou Legiões (alguns as chamam de Po­vos).

 

I - Legião dos Doutores

     ou Médicos:

Composta por doutores da medi­cina ocidental convencional ou ho­meo­patas : Dr. André Luiz, Dr. Ro­dolfo de Almeida, Dr. João Correia, Dr. José Gregório Hernan­déz, entre outros.

 

II – Legião dos Médicos

       Orientais:

Terapeutas orientais, especia­listas em fitoterapia, acupuntura, massagem e nas principais disciplinas médicas tradicionais da Ásia: Ra­ma­tis, Mestre Agastyar, Babaji.

 

III – Legião dos Curandeiros:

Curandeiros e Xamãs nativos das Américas, África e Oceania : caboclos e pretos velhos, feiticeiros tradicio­nais, alguns exus – como o Exu Curador, Seu Maramael.

 

IV – Legião dos Rezadores:

Rezadores, benzedores e os prat­i­can­tes da medicina religiosa ou espi­ritual.  Aqui encontramos todo os que curavam pela imposição das mãos, fé e oração : Pai João Maria de Agosti­nho, Pai João de Camargo, Vó Nhá Chi­ca, Mestre Philippe de Lyon, Abade Julio.

 

V – Legião dos Raizeiros

Praticantes da medicina folclórica e mágica regional. São os mestres jure­meiros brasileiros, os ervateiros ou chamarreiros das Américas e todos os especialistas na flora, fauna e mi­ne­rais curativos: Dom Nicanor Ochoa, Mestre Inácio, Mestre Carlos de Oli­veira, Mestre Rei Heron.

 

VI – Legião dos Cabalistas   

        e Alquimistas:

Espíritos dos velhos cabalistas e alqui­mistas, conhecedores dos segredos das plantas e cristais : Pai Isaac da Fon­seca (primeiro cabalista brasi­leiro), Nicolau Flamel, Paracel­sus, Pai Jacó.

 

VII – Legião dos Santos

           Curadores:

Santos católicos celebrados como médicos, curandeiros ou especialistas na cura de alguma doença : Santa Luzia – olhos, Santa Ágata – seios, São Lazaro – doenças de pele, São Bento – envenenamentos.

 

 

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Festa de Ibeijada

 

-Uau...que lindo! Veja quanto balão colorido...E quantos amiguinhos tem aqui!!!

Os olhos da menina brilhavam ao entrar naquele ambiente onde fora conduzida durante o coma, por seu amigo protetor. Enquanto seu corpo inerte sobre o leito hospitalar, acoplado a vários aparelhos, mantinha uma vida quase artificial, em corpo espiritual foi retirada daquele ambiente triste, para que pudesse  receber auxílio junto a um terreiro de Umbanda  onde se realizava uma festa de Ibeijada.

-Tio, quero aquele balão...me dá um pirulito? Posso tomar guaraná?

Milena, ali naquele local não aparentava mais a menina depressiva e triste que há vários dias adoecera e simplesmente desistiu de querer viver, por isso entrou em inanição, chegando ao coma. Cansada de maus tratos pela mãe adotiva e sem ter a quem se socorrer, resolveu que queria morrer quando ainda não tinha 6 anos de idade.

Agora Milena, entre as crianças encarnadas que se aglomeravam em meio aos Ibejis e todos aqueles doces e refrigerantes, sorria feliz. Estando em corpo espiritual, não podia ser vista pelos encarnados, porém ela percebia nitidamente, não só os médiuns que recebiam os espíritos chamados de Ibejis, como também os próprios espíritos acoplados a estes. Depois do primeiro instante de fascinação, a menina passou a observar cada um daqueles “amiguinhos” que se diferenciavam pela luz e beleza.

-Que menina linda vem nos visitar – falava Mariazinha, receptiva e sorridente.

-Oi, quem é você?

-Me chamo Mariazinha e gostaria de te ajudar. Me contaram que anda tristinha...querendo morrer.

-É...foi o tio que te contou?

-Também...

-Ah, amiguinha...agora eu não estou mais triste pois o tio me trouxe aqui onde tem muitas crianças, doces e todos esses balões...tem até bolo de aniversário. Eu nunca ganhei um, sabia?

Hum, então vou te servir um pedação deste bolo gostoso que tem o poder de devolver a alegria e o doce a todos os corações tristes e amargurados.

 Milena agora se deliciava com o bolo ( cópia energética do existente no plano material) o que a levou a adormecer em corpo astral e, ali mesmo, no ambiente espiritual do terreiro, em departamento específico para estes tratamentos, foi levada a relembrar através de seu mental de vida pretérita onde plantou essa colheita dolorosa, bem como de seu comprometimento antes da atual reencarnação. Isso era possibilitado pelo fato de estar ali, naquele corpinho infantil, um velho espírito endividado com as Leis. Antiga freira, responsável por orfanato que acolhia órfãos, usou de sua autoridade e amargura para maltratar e por vezes escravizar as pobres crianças que eram a ela destinadas pela igreja.

De maneira amorosa, aquele espírito que se fazia também infantil durante a Ibeijada, juntamente com o “tio”-  protetor de Milena – agora a faziam relembrar bem como imantavam a nível cerebral essa lembrança que serviria para que, quando acordasse no corpo físico e pela necessidade de ressarcir as dívidas contraídas, sentisse mais alegria e vontade de viver, prosseguindo sua jornada encarnatória tão necessária para reajuste daquele espírito.

Enquanto a festa no terreiro prosseguia alegre, com os Ibejis curando e brincando com a meninada, Milena foi levada de volta ao seu corpo físico. Muitas coisas agora se diferenciavam a nível mental, emocional e energético que seriam repassadas ao seu corpo físico bastante debilitado. No dia seguinte, ao amanhecer as enfermeiras constataram que Milena recuperava seus sinais vitais, não necessitando mais ficar ligada aos aparelhos, para em breve já voltar a se alimentar e sorrir.

 Sua saída do hospital era aguardada por uma “tia” do Conselho Tutelar que a levaria até um abrigo infantil. Sua mãe perdera a guarda da menina. De agora em diante, sua rotina seria assim, alternando-se entre algumas tentativas de adoção e sua volta aos abrigos, até que na adolescência um casal estrangeiro lhe possibilitaria a chance de ter um lar e se profissionalizar.

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 A Linha das Crianças que atua na Umbanda, denominada de Ibeijada , Yori ou Cosme e Damião é trazida ao plano terreno através da irradiação dos médiuns, pelos protetores que em forma plasmada de crianças e agindo como tal, se apresentam no terreiro brincando e distribuindo alegria aos consulentes.  Espíritos portadores de grande sabedoria e elevação, através das brincadeiras infantis, possibilitam dessa maneira, que as pessoas afrouxem seu emocional, liberando para que eles atuam a nível energético. Oferecem doces que contém já a energia necessária e que vai agir, de certa forma, como um remédio.

Relembrando as palavras de Jesus: - Deixai vir a  mim as criancinhas, pois delas é o reino dos céus – que nada mais significava do que a pureza de que se revestem ainda as crianças, tão necessária ao nosso aprendizado adulto. A sua facilidade natural em esquecer ofensas como também em manifestar suas emoções, sem máscaras.

Nas festas ou giras de Ibeijada, além dos consulentes encarnados, a espiritualidade aproveita para trazer muitos outros em desdobramento do sono ou que se encontram em coma, para receber o auxílio a nível energético. Além ainda, do grande número de espíritos desencarnados e que se acham ainda adoentados, principalmente a nível emocional.

Portanto a festa é total e completa. Uma festa de alegria, de cura, de transformação. E assim, através de Mariazinhas, Joãozinhos, Cosmes e Douns, no meio de balas de côco e brincadeiras, nossos sábios protetores e guias nos permitem a ajuda evolutiva de que tanto carecemos.

Salve a Ibeijada!

 

Contada por Vovó Benta.

Repassada por Leni W.S - 2008

 

 

 

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Zé Pilintra

A Umbanda, tal qual aquela dama que, vivendo num mundo iluminado pela riqueza e conforto, apieda-se da pobreza e vestindo-se de simplicidade, desce até ela para aliviar um pouco das dores que assolam aquelas almas deserdadas pela sorte.

Talvez a mais universalista das religiões, tanto aceita alentar indiscriminadamente a todos que batem em sua porta, quanto acolhe em suas fileiras de trabalho todos os espíritos que aceitam trabalhar para a Luz. E nesse grupo não se incluem somente os iluminados mentores e guias, mas em grande número se juntam a eles, aqueles espíritos que muito erraram enquanto encarnados e que após ultrapassarem a espessa cortina da chamada morte, observam o equívoco e pedem uma chance de acertar o passo. E assim o doutor passa a ser enfermeiro, o magistrado assume feliz a condição de soldado e o famoso político aceita com humildade descer ao lamaçal e alcançar sua mão aos deformados espíritos que talvez ele mesmo tenha ajudado na decadência.

As luzes dos vitrais e o ouro dos altares os impossibilita de atuarem em muitos lugares e por isso sentem-se à vontade nos humildes terreiros onde o trabalho é imenso e os trabalhadores escassos. Lá encontram falanges, onde sempre haverá alguma se adequando à sua energia. Ajudando aos estropiados, curam-se a si próprio e evoluem. E evoluindo alcançam um dia a condição de guia de luz, prosseguindo ainda assim no trabalho, pois é incessante o aprendizado.

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“Aquele médium havia chegado a pouco na corrente, chamado que foi através da dor. Estudava os primeiros passos do desenvolvimento mediúnico, sentindo-se um tanto deslocado diante dos companheiros que, com a maior desenvoltura, trabalhavam com seus guias. Seu coração, embora sofrido, irradiava amor e a seu jeito, prestava ali a caridade. Os dias passavam e naquela gira de preto velho ele sentiu uma vibração forte a envolvê-lo já na abertura do trabalho. Lembrou de seu sonho na noite anterior onde se via dançando em local iluminado pela lua cheia, ao som das palmas de uma multidão vestida de branco.

Tudo corria normal, até quando foi abordado pelo dirigente do Templo, pedindo que ele se dirigisse em frente ao congá e elevasse o seu pensamento aos guias espirituais, pois havia uma entidade que precisava trabalhar ali naquela noite e o escolhera como aparelho.

Um sorriso maroto, uma alegria estampada no olhar e seus pés deslizavam numa dança compassada que lembrava um exímio mestre-sala dos carnavais cariocas. Sua maneira de saudar o congá e o dirigente foi uma reverência respeitosa, mas totalmente diferenciada dos demais espíritos que ali chegavam para trabalhar.

Com total desenvoltura a entidade conduzia seu aparelho mediúnico e naquela dança alegre, andou pelo terreiro sendo saudado pelos pretos velhos que em seus tocos trabalhavam na caridade.  E auxiliou aos mesmos nas magias necessárias ao bom andamento dos atendimentos, socorreu e amparou com seriedade, sem no entanto, perder a graça de seus gestos descontraídos e a alegria de quem é feliz naquilo que faz, característica dessa corrente de trabalho do astral.

No final dos trabalhos, com a permissão do dirigente, apresentou-se à corrente mediúnica, reverenciando-os:

-Boa noite aos amigos. Este que vos cumprimenta é Zé Pilintra que a partir de hoje, com as ordens de quem vos dirige no plano espiritual, integra-se a essa corrente de trabalho, para vos auxiliar na caridade.

Olhos arregalados demonstravam o nítido preconceito existente em alguns médiuns que por “achismos” e não por conhecimento, abonavam a figura desta entidade que para eles era mitológica.

Captando essa energia, a entidade sorriu divertida e cantando um ponto que trazia consigo, pediu que o acompanhassem com palmas e um sorriso no rosto, pois o azedume e o julgamento não fazem parte do bom trabalho na caridade e nem combina com a Umbanda.

 

“Seu Zé Pilintra, onde é que o senhor mora

Seu Zé Pilintra, onde é sua morada

Eu não posso lhe dizer

Porque você não vai compreender...ê..ê

Eu nasci no Juremá

Minha morada é bem pertinho de Oxalá”

 

Agora mais sério, explicava para os médiuns:

-Sou um daqueles espíritos expulsos de alguns lugares como demônio e em outros, tratado como obsessor, quando observado pelos médiuns videntes, e visto que não possui a aparência desejada para ser considerado um “irmão de luz”. Fui, como tantos outros espíritos, um pecador que se endividou diante das leis maiores. Hoje, acolhido amorosamente pela Umbanda, graças a  bondade divina, após razoável temporada de esgotamento energético nos locais adequados do plano espiritual. Portanto não sou “de luz”, mas optei “pela luz”. Não sou santo e minha história de vida enquanto encarnado não é um bom exemplo, mas estou retornando ao caminho.

Se sou um Exu? Por que me fiz presente durante a gira de preto velho? Zé Pilintra é malandro dos morros do Rio de Janeiro? Enquanto se discutem esse tipo de coisa, se perde tempo e tempo é precioso quando o trabalho nos aguarda.

Estou trabalhando na falange a qual fui atraído energeticamente e assim como nem todo preto velho obrigatoriamente foi um dia escravo, nem todo espírito que se apresenta como Zé Pilintra foi malandro de morro. Atuamos no mundo físico com as características da falange a que pertencemos, para melhor identificação o que evidentemente não é importante. O objetivo de nossa atuação, ou seja a caridade lenitiva, essa sim é importante.

Para muitos, Zé Pilintra é considerado pertencente ao “povo da rua”- espíritos identificados como “ocasionais”  trabalhadores da luz. Entendimentos diferenciados à parte, eu lhes digo que nomes são apenas importantes enquanto estamos encarnados e esse que aqui está como Zé Pilintra não se transformou após a morte, apenas mudou o foco e a visão da vida. Sempre fui uma pessoa alegre, descontraída e brincalhona, mesmo nos momentos mais difíceis e talvez por isso adeqüei-me a este trabalho. Não sou alcoólatra nem mulherengo como tentam formatar todos os “Zés” e por isso lhes peço respeito, bem como vosso carinho.

Sorrindo, reverenciou a todos, saudou o congá e subiu, deixando no ar uma contagiante alegria.

“Agora pra sua banda vai subir...

Meu Deus ele já vai embora...

Boa noite meu senhor

Boa noite minha senhora”.

 

Leni W.Saviscki

Erechim, RS, março/2008

 

 

 

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