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Fazer
parte da gira
Inívio
da Silva Borda
Muitas pessoas
têm, sistematicamente, procurado centros espíritas, principalmente
de Umbanda, para solucionar problemas diversos. A convivência com os
trabalhos, a presença nas sessões de consulta ou até mesmo de
desenvolvimento, costumeiramente, desperta um interesse maior pela
religião. A partir daí o consulente passa a viver a expectativa de,
muito em breve, passar a integrar o corpo mediúnico da casa, ou,
como se diz popularmente, “fazer parte da
gira”.
Com o passar
do tempo, no entanto, muitas pessoas ficam decepcionadas pois não
encontraram aquilo que procuravam e a saída do terreiro é uma
questão de tempo. Deixam de lado a fé, a esperança, a credibilidade
e, simplesmente, buscam novos rumos. Novos tesouros.
Isso ocorre,
na grande maioria das vezes, em razão da falta de orientação ao
consulente por parte dos dirigentes espirituais. Via de regra é
comum transformar um Centro Espírita, seja qual for a doutrina
empregada ou o ritual seguido, em um balcão de atendimentos.
Cartazes com promessas de solução para casamentos, amarração,
problemas financeiros e de saúde são encontrados com facilidade
pelas ruas da cidade. Até mesmo atendimento eletrônico, seja via
telefone ou Internet, já é oferecido hoje em dia.
E, com
certeza, não será um atendimento gratuito. Cursos, então, tem para
todos os gostos: curtos, longos, caros, baratos. E, em apenas nove
meses, você pode se tornar um babalaô ou uma babá.
OBJETIVOS DA
UMBANDA
Procura-se uma
forma mais fácil de atrair o público para as sessões, sem, contudo,
esclarecer quais são os reais objetivos da Umbanda. É certo que cada
casa tem sua forma de atuar e cabe ao dirigente máximo definir suas
prioridades. Mas transformar a religião em um balcão de negócios,
certamente, não é o caminho mais correto.
A Umbanda
preconiza a evolução espiritual, a busca pelo equilíbrio interior, a
prática da caridade, a renovação da fé e o crescimento da esperança.
Esperança por um mundo melhor, muito mais justo, igual, sem
preconceitos de raça, credo, cor, sexo ou qualquer outra diferença
que possa existir entre as pessoas. Afinal, aos olhos de Zambi,
nosso Deus todo poderoso, somos todos iguais.
Portanto,
quando receber o chamado da Umbanda, atenda-o. Mas tenha consciência
de que esse chamado lhe representará uma oportunidade de reparar
erros do passado, de progredir espiritualmente visando a vida
futura. Contribuirá também para melhorar sua autoconfiança e
valorizar a fé.
Não pense que,
ao assumir seu compromisso com o Astral, estará dando o primeiro
passo para receber bonificações materiais – um novo emprego, um
carro importado e do ano, um marido (ou esposa) rica, aquela casa
dos seus sonhos. Não meu irmão, essa não é a prioridade da Umbanda.
Esses benefícios materiais serão resultados do seu esforço, da sua
dedicação ao trabalho e, acima de tudo, do seu
merecimento.
Na Umbanda
você encontrará a Luz. Na Umbanda você encontrará a Fé, a Esperança
e a Caridade. Agora, se esses não são os seus objetivos, por favor,
não atenda ao chamado da Umbanda. Você ainda não está
preparado.

Conduta Moral, Espiritual e Física dos médiuns dentro
da corrente astral de Umbanda.
Texto
extraído do livro:
“Mistérios e Praticas na Lei de Umbanda” W.W da Matta e
Silva
1 –
Manter dentro e fora da Tenda, isto é, na sua vida espiritual ou
religiosa particular, conduta irrepreensível, de modo a não suscitar
críticas, pois qualquer deslize neste sentido ira refletir na sua
Tenda e mesmo na Umbanda, de modo
geral.
2 –
Procurar instruir-se nos assuntos espirituais elevados, lendo o
Evangelho do Cristo Jesus e outros livros indicados, bem como
assistindo palestras nesse
sentido.
3 –
Conservar sua saúde psíquica, vigiando constantemente, o aspecto
moral.
4 –
Não julgar que seu protetor ou sua entidade é o mais forte, o mais
sabido, muito mais “tudo” que o do seus irmão, médium
também.
5 –
Não viva querendo impor seus dons mediúnicos, contando, com
insistência, os feitos de seus guias ou protetores. Lembre-se de que
tudo isso pode ser problemático e transitório e não esqueça de que
você pode ser testado por outrem e toda essa conversa vaidosa ruir
fragorosamente.
6 – Dê
paz a seu protetor no astral, deixando de falar tanto no seu nome,
isto é, vibrando constantemente nele. Assim, você está se
fanatizando e “aborrecendo” a entidade.
7 –
Quando for para a sua sessão, não vá aborrecido e quando chegar lá,
não procure conversas fúteis. Recolha-se a seus pensamentos de paz,
fé e caridade pura para com o
próximo.
8 –
Lembre-se sempre de que sendo você um médium considerado “pronto” ou
em desenvolvimento, é de sua conveniência tomar banhos de descargas
ou propiciatório determinados por seu guia ou protetor, Seu for
médium em desenvolvimento, procure saber quais os banhos e
defumadores mais indicados, que poderá ser dado pela direção do
terreiro.
9 –
Não use guias ou colares de qualquer natureza sem ordens comprovada
de sua entidade protetora responsável direta e testadas no
terreiro.
10 –
Não se preocupe em saber o nome do seu guia ou protetor antes que
ele julgue necessário e por seu próprio intermédio. É de toda
conveniência também para você, não tentar reproduzir, de maneira
alguma, qualquer ponto riscado que tenha impressionado dessa ou
daquela forma.
11 –
Não mantenha convivência com pessoas más, viciosas maledicentes,
etc... Isto é importante para o equilíbrio de sua aura e dos seus
próprios pensamentos. Tolerar a ignorância não é compartilhar
delas...
12 –
Acostume-se a fazer todo o bem que puder, sem visar as
recompensas.
13 –
Tenha ânimo forte através de qualquer prova ou sofrimento. Aprenda a
esperar e confiar...
14 –
Não tema a ninguém, pois o medo é prova de que você está em débito
com sua consciência.
15 –
Lembre-se sempre de que todos nós erramos, pois o erro é da condição
humana e portanto ligado a dor, a sofrimentos vários e,
conseqüentemente, às lições, com suas experiências... Sem dor,
sofrimento, lições e experiências não há Karma, não há humanização
nem polimento íntimo. O importante é que não se erre mais. Ou não
cometer os mesmos erros.
16 –
Zele por sua saúde física, com uma alimentação racional e
equilibrada.
17 –
Não abuse de carnes, fumo e outros excitantes, principalmente o
álcool.
18 –
Nos dias de trabalhos, regule a sua alimentação e faça tudo para se
encaminhar a sessão espiritual, limpo de corpo e
espírito.
19 –
Tenha sempre em mente que, para qualquer pessoa, especialmente o
médium, os bons espíritos somente assistem com precisão, se
verificarem uma boa dose de humildade ou de simplicidade no coração.
A vaidade, o orgulho e o egoísmo cavam o túmulo do
médium.
20 –
Aprenda lentamente a orar confiando em Jesus, o Regente do planeta
Terra. Cumpra as ordens ou conselhos de seu Guia ou Protetor. Ele é
seu grande amigo e somente trabalha para a sua
felicidade.

A IGREJA
DO CRISTO
Ramés
Pergunta: São
tantas as igrejas espalhadas pelo mundo, com nomes diferentes, cada
uma apresentando um ponto particular da doutrina de Jesus, que é
fácil compreender a confusão que se faz na mentalidade
contemporânea. Uma vez que os homens ainda são apegados “a letra”
dos Evangelhos, não se dando ao paciente estudo de seu sentido
oculto, por sua ociosidade mental, poderíeis nos dar, à guisa de
esclarecimentos, qual é verdadeiramente no cenário do mundo a
verdadeira Igreja de Cristo?
Ramés: Somente
as humanas criaturas em conflito com as forças que regem a matéria,
uma vez que o espírito na contingência de sua reencarnação se
expressa de maneira limitada, é que podem ter a presunção de estarem
“sintonizadas com a verdadeira igreja de Cristo”. Desprezam outras
seitas e filosofias porque não se coadunam com suas inclinações e
caprichos cultivados ao longo dos tempos.
Os
espíritos que estão comprometidos com a filosofia de Cristo, e que
já atravessaram a primavera borbulhante do ego transitório, tão
comum entre os terrícolas, já não sentem esta preocupação de
rotularem-se nesta ou naquela igreja, ou de advogarem esta ou aquela
doutrina. São almas emancipadas das expiações compulsórias, e por
isso acariciam o desejo de realizarem unicamente o bem entre os seus
semelhantes, não se lhes importando a que filosofia pertencem, pois
o amor que o Cristo vos ensinou deve estar sempre acima de qualquer
corpo de realidade transitória.
Não podeis olvidar que o
homem nasceu para a religião e não a religião para o homem! Porque as religiões
passam, desaparecem na curva dos tempos, como o cenário do mundo se
modifica no labirinto dos milênios, porém as almas dos homens se
repetem em corpos e personalidades diferentes, vivenciando de acordo
com a época e absorvendo as lições sempre vivas do universo de
acordo com a sua mentalidade vigente.
Disse-vos
o próprio Mestre em linguagem explícita, e que religião considerada
oficial tentou ocultar: “O Espírito de Deus, Vosso Pai, não está
limitado a um templo de pedra ou de madeira, mas está no coração de
seus filhos. De maneira que, onde estiver seu coração, aí estará o
seu tesouro...”
Nos evangelhos considerados apócrifos, está
registrada esta resposta de Jesus ás indagações de uma mulher, que
aproveitando um dos raros momentos em que o Mestre se encontrava
afastado de seus discípulos para saciar sua sede junto a um poço de
água, se aproximou do Sublime Senhor para obter o esclarecimento
cujas indagações lhe angustiava a alma.
Erguei
portanto, a Igreja de Cristo em vossos próprios corações, uma vez que já se
encontra assentada a pedra basilar que é o Espírito de Deus que
habita convosco, segundo as palavras do próprio Mestre
Jesus.
Pergunta:
Há
coerência e discernimento em vossa resposta, porém sempre há aqueles
de nós que ainda se demoram no entendimento de assuntos tão
complexos como a questão da religião. Vemos Kardecistas esnobando a
Umbanda, como vemos umbandistas fazendo chacotas dos evangélicos,
enfim uns atirando dardos nos outros a despeito de afirmarem estar
abraçados a um único Deus. Sem falar dos extremistas que atiram
bombas em nome de Alá, ou aqueles que não titubeiam em explodir
civis em nome de Maomé. Que poderíeis nos dizer a
respeito?
Ramés: “Homo
Homini Lupus.” – O homem é o lobo do homem! Somente uma arrogância e
uma presunção doentia é capaz de aceitar que Deus sendo o amor
incondicional, poderá compactuar com a selvageria e a violência de
irmãos contra irmãos!
Já vos
dissemos alhures, que o homem nasceu para a religião e não o
contrário, ou seja, o espírito que há no homem sente uma profunda
inclinação para algo maior, uma ânsia espiritual, um vazio
existencial que sua apoucada sabedoria não consegue
explicar.
Volta-se
para o espaço estrelado e mede o abismo que o separa desta força e
poder invisível que o atrai irresistivelmente. Incapaz de voltar-se
para dentro de si mesmo devido a sua limitada consciência
espiritual, busca nas expressões defectíveis de sua personalidade
transitória preencher as necessidades de sua alma
atormentada.
A
verdade divina se nos revela por aproximações, é uma conquista do
espírito e não uma concessão extemporânea; assim como a Igreja de
Cristo não se estabelece em uma posição geográfica ou um lugar comum
onde todos irão pisar, uma vez que ela é a soma de todos os corações
irmanados no mundo inteiro por meio da Boa Vontade
mundial.
A
verdade de Deus ou o conhecimento divino é o verdadeiro tesouro que
as traças não corroem e nem os ladrões roubam! E só poderemos
conquistá-lo através de uma vivência verdadeiramente cristã. Os
homens se preocupam em acumular conhecimentos doutrinários e
absorverem alfarrábios antigos, porém desprezam a prática da
caridade e o exercício da Boa Vontade, único passaporte legítimo
para a Igreja de Cristo.
Hipertrofiam
seus cérebros de conhecimentos, mas seus corações permanecem vazios,
por que não cultivaram a semente do amor através dos trabalhos que
dignificam a alma .
Os
homens são imitadores por natureza! Kardec veio ao mundo, e apesar
da benemerência de sua obra por intermédio dos espíritos, a grande
maioria se permitiu ao luxo ilusório de imitá-lo quando deveriam
vivenciá-lo. Não se imita os espíritos de luz, assim como o homem
comum não consegue imitar a obra de um artista
genial.
Colocaram
o quadro de Kardec na parede de seus templos e se limitaram a
imitá-lo em vez de viverem seu exemplo no dia a dia, no que concerne
ao respeito as religiões.Allan Kardec nunca estimulou as contendas
inúteis, nem nunca incentivou as provocações atrabiliárias,
compreensível somente no meio de espíritos atrasados. Assim como
não se vê do lado de cá o espírito humilde de um preto-velho
fazer piadas e conchavos a cerca do espiritismo, sempre tão
respeitado entre estas portentosas Entidades que cultuam no âmago de
seus corações o amor incondicional pelos seus
semelhantes.
E
enquanto na terra os homens cuidam de subtrairem-se em nome de suas
religiões, degladiando-se na arena comum de sua ignorância, as
comunidades siderais irmanadas no espaço somam esforços, unindo-se à
Cristo Jesus em favor dos homens na terra!
Kardecistas ou ateus, evangélicos ou
umbandistas, espiritualistas ou esotéricos, budistas ou Teosofistas,
importa somente para os nossos maiorais da Vida Maior o universo
interior das humanas criaturas, sua ascendência moral, sua retidão
de caráter, seu bom senso e sua Boa Vontade em auxiliar seu irmão
independentemente da religião que abraçou.
Não há
religião superior a verdade, e não há outra verdade que o amor que o
Cristo vos ensinou! Esta é a única verdade superior, sem querer
parecer presunção de nossa parte.
Disse-vos o amado Mestre: “Veritas Vos Liberabit”
(conhecereis a verdade e a verdade
vos fará livres).
“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, porque não há amor
maior que este; o de dar a sua vida por amor de seus
irmãos.
E
amando-vos uns aos outros com um amor semelhante ao Meu, sereis
reconhecidos como meus discípulos, amando-vos como Eu vos tenho
amado...”
Paz.
Recebido
por João B. G.Fernandes
Porto
Alegre- RS

Vivendo
o que canto e prego
“Não
me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por
meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios
obedecerem a Deus, pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do
poder do Espírito de Deus.” – Rm 15:18
Segundo alguns
historiadores, certo dia, Francisco de Assis disse a um dos monges
mais jovens: 'Vamos descer até a cidade para pregar'. O noviço ficou
feliz por acompanhar Francisco de Assis. Chegando lá, eles
caminharam ao longo da avenida principal. Depois, enveredaram por
ruas secundárias e vielas, encaminhando-se para os subúrbios e, por
fim, retornaram aos portões do monastério. Ao retornarem, o jovem
relembrou Francisco de sua intenção inicial:
'O senhor se
esqueceu, Irmão, que nós fomos à cidade para pregar.'
Francisco respondeu: 'Meu filho, nós pregamos. Nós estávamos
pregando, enquanto caminhávamos. Fomos vistos por muitas pessoas e
nosso comportamento foi observado com atenção. Foi assim que
pregamos o nosso sermão matinal. Não teria nenhuma utilidade, meu
filho, irmos a qualquer parte para pregar, a menos que pregássemos
em todos os lugares enquanto andássemos por eles'.
Devemos
viver o que pregamos ou cantamos! Pregarmos e cantarmos o que
vivemos! Ensinarmos o que são verdades nas nossas vidas, experiência
de vida.
“Viver o que canto, cantar o que vivo!” Então, o que
fazer? Devemos tomar cuidado com o que estamos cantando e pregando,
em outras palavras, o que cantamos e pregamos são verdades na nossa
vida?
Se não for, estamos vivendo de maneira hipócrita e de
“fachada”.Pratique o que você canta! Pratique o que prega! Seja
aquilo que você fala! Como podemos, por exemplo, cantar sobre o amor
se não amamos? Cantar cânticos de comunhão se temos barreiras com as
pessoas? Como podemos falar de fé se não temos fé? Falar de dízimos
se não somos dizimistas? Falar de perdão se não
perdoamos?...etc...
“Seu dia-a dia é o seu púlpito!” Cada
dia de trabalho, de convivência com as pessoas, amigos e familiares
seus é uma maneira de ministrar, abençoar a outros e, viver e
transmitir a vida de Cristo, se este for o seu desejo. Então, o seu
dia-a-dia se torna significativo, porque alia aquilo que você diz
com aquilo que você vive. A Bíblia coloca isto da seguinte forma:
'Assim, brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as
suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus'
(Mt 5:16).
O desafio para nós é este: O que somos no púlpito
devemos ser fora do púlpito! O que cantamos e pregamos no púlpito
devemos praticar fora do púlpito! Que Deus nos capacite a vivermos
aquilo que falamos e nos ajude a termos uma vida de
autenticidade.
“Estou convencido de que aquele que começou boa
obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” – Fl
1:6
X 
Sapientiam autem non vincit malitia.
(A
malícia nada pode contra a sabedoria)
A crise da civilização e a crise da fé
são hoje os dois pilares que sustentarão o caos aparente da crise do
futuro. Chegamos a um ponto, numa determinada curva de nossa estrada
em que os meios de comunicação e a mídia em geral não nos apontam
uma saída nem nos brindam com uma solução capaz de oferecer as
humanas criaturas, a segurança sofregamente buscada nas páginas da
bíblia ou nos ícones de nossa fé, sem uma base de raciocínio lógico,
sem a coerência que lhe dê sustento pelas vias do
discernimento.
A humanidade hoje, diante do quadro que
se revela perante a crise financeira mundial, olha para o céu
parecendo lembrar-se
que há um Pai no céu ( e isso ocorre sempre em momentos de
crise) ou um Cristo em
seu trono observando as almas que lutam cá embaixo, perguntando-se
como crianças pegas de surpresa: “Quo Vadis Domini?” - Para Onde
Vais, Senhor?
Para onde agora? Que faremos já que o
deus dinheiro dá mostras de decrepitude? Nos espasmos em que se
debate o capitalismo selvagem cuja morte já foi anunciada, onde
reparar o erro com que a humanidade permissivista pleiteou nestes anos
todos?
Crise de saúde, crise de dinheiro,
crise de fé, crise familiar, crise existencial, crise de emprego,
crise de religião, crise de segurança, crise de esperança...São
tantas as crises que apoquentam a humanidade, que aos olhos de quem
verdadeiramente enxerga podem ser resumidas em uma única crise: A
crise de Amor!
Jesus, O Divino Mestre em suas máximas
sempre atuais, destacou entre tantos ensinamentos sublimes,
ventilados a todos os povos; “Procure o reino de Deus e Sua Justiça,
e tudo vos será acrescentado”. Mas o homem, sempre invertendo ou
deturpando o sentido verdadeiro das ilações sagradas do verbo vivo
de Jesus, precipitou-se no abismo do egoísmo e ergueu seu império de
barro, explorando sociedades, reinos e nações sob o vergasto do
capitalismo consumista que só enxerga o ser humano como “cliente” em
potencial, nunca como irmão de coexistência.
O “amai ao próximo como a si mesmo”, e
o “fazei ao próximo aquilo que quereis que façam a vós mesmos” que foram
relegados a um conto de fadas, são máximas que não se casam com a
filosofia do “ut dês” (dou para que me dês) e não encontra eco no
coração e na mentalidade daqueles que elegeram o materialismo como
plataforma de existência.
Agora que o capitalismo agoniza no
crepúsculo de seus equívocos matemáticos, leva de roldão, na esteira
de seu orgulho e avareza, os néscios que estúpidamente patrocinavam
a orgia do cérbero senhor cifrão, acostumado a devorar as políticas
de assistência social e apoio de produtividade das classes e
nações menos favorecidas economicamente. Pela lei inexorável do
capitalismo, deve-se consumir tudo, até mesmo a esperança de um povo
sofrido pelas estratégias financeiras dos bancos e sua fome de
dinheiro.
Mas os Poderes Invisíveis do Universo,
o Governo Oculto do Mundo, os Olhos Invisíveis dos Anjos Tutelares
estão sempre em prontidão, e sempre intercedem na vida dos homens
quando os ”tempos são chegados”, quando uma Nova Ordem deve ser
anunciada. A primeira
nota musical que soa aos ouvidos daqueles que verdadeiramente ouvem,
é uma crise que se estabelece, forçando o comboio humano a rever
suas ações e seus valores.
Sodoma, Gomorra, Herculanum, Pompéia,
Lemúria e Atlântida, enterradas hoje sob os escombros e ruínas de
suas fantásticas necrópoles, despertam de seus sonhos fantasmais
para serem as testemunhas silenciosas deste poderoso movimento
cíclico que se levanta mais uma vez para fazer cair por terra a
ganância, o egoísmo, a depravação, a arrogância de uma civilização
que buscou firmar-se sob a égide da exploração
humana.
O egoísmo é hoje o principal foco em
que se alimentam os vermes vorazes do capitalismo, que já se tornou
um câncer social no organismo coletivo das nações, e por isso deve
ser extirpado. E sempre quando a corrupção, o amor ao dinheiro, a
depravação, os delírios do materialismo cega as almas estagiárias em
determinado período de seu despertamento e evolução, desequilibrando
o sistema imunológico do organismo terrestre; quando a prepotência e
a presunção dos homens se alastra e se agiganta, dores e provações
vem sacudir as hierarquias que se constituíram por meios escusos a
fim privilegiar-se mutuamente, esquecendo e desprezando os mais
humildes e os mais frágeis; dores e provações vem sacudir os homens
e suas sociedades para restaurar o equilíbrio que se perturbou
desavisadamente.
Mas assim como o Governo Oculto do
Mundo, os Veladores Silenciosos, não perdem de vista um átomo de
vossas experiências; assim como ELES enviam ao mundo as provas
necessárias a maturidade de cada povo e nação, também enviam através
das portas da reencarnação aquelas almas eleitas cuja missão é
alavancar para novas diretrizes e novos horizontes do conhecimento a
ciência e a política existencial dos homens.
Assim como a borrasca passa depois de
um ensurdecedor temporal, revelando um céu aparentemente mais azul e
uma atmosfera mais respirável, também estas crises e provações
depois que passarem, oferecerão aos homens, aos que merecem e que
perseveram no bem, uma atmosfera mais saudável no campo das lutas
humanas.
Por tanto, não desespereis! Confiai
sempre que o mundo e a vida, aparentemente mergulhando num caos
financeiro promovido pela ganância de homens sem escrúpulos, tem por
piloto o Cristo Jesus e seus Prepostos. Permanecem no leme desta nau
terrestre o Senhor dos senhores, o Grande Senhor do Amor e da
Compaixão que jamais nos esquece e que sempre estará conosco até o
fim dos tempos.
Ramés
Kaáyarê – Discípulo de
Thashamara.
Ordem
de Umbanda Cruzeiro do Sul – Raiz de Guiné

O MEL DAS
APARÊNCIAS
Como saboreamos
gulosamente o mel das aparências, como nos deixamos cair nas malhas
das ilusões do mundo, como somos sujeitos às
tentações!...
Carregamos conosco as
conseqüências de todos os nossos atos do passado e, ainda incapazes
de olhar para dentro de nós para sentirmos a causa que provoca
efeitos tão desastrosos, persistimos em caminhar às cegas,
tropeçando, caindo e levando outros a tombar, empurrados por nossa
ignorância.
Até quando
permaneceremos cegos, surdos e incapazes de encontrar o nosso
verdadeiro ser? Até quando caminharemos às palpadelas, enveredando
por caminho ínvios, penetrando em encruzilhadas tentadoras, atrás do
mais fácil e apetecível?
O mundo da matéria
ainda é o único que nos interessa. Apelamos para Deus nas horas em
que nos sentimos perdidos; tão logo porém encontramos a solução para
o que nos aflige, esquecemos de seguir o caminho que nos foi
apontado e que nos levaria à realização do objetivo a que todos
somos destinados. É então que sofrendo e chorando entregamo-nos às
vezes a um estado de indiferença e, assim, a angústia se apossa de
nós e nos tornamos escravos de sentimentos destruidores que aos
poucos nos levam ao desespero.
Sabemos que Deus vive
em nós; que é luz, sabedoria e amor; que seu reinado é de paz e
alegria; que somos herdeiros do seu reino, partículas dessa
divindade, portanto, donos da felicidade; mas não conseguimos
extrair esse potencial das nossas minas internas, para acrescer
nossa vida de novos e permanentes valores.
Vivemos nos debatendo
num mar de agonias, porque queremos o que é do mundo da matéria como
uma finalidade, e esse mundo é exigente e quem a ele se escraviza
torna-se corruptível, insaciável, vulnerável e infeliz, porque na
Terra tudo é ilusório, tudo é fantasia...
Quando Jesus afirmou:
"Meu reino não é deste mundo", advertiu-nos de que o reino do mundo
é tentador e quem a ele se submete transforma-se num fantoche sem
vontade própria.
"Buscai primeiro o
reino de Deus e sua justiça. O resto virá por
acréscimo."
Buscar o reino de Deus
é lutar para libertar-se do reino do mundo, onde temos raízes
profundas. As dificuldades de soltar esses tentáculos tornam-se
quase insuperáveis, tal a sua profundidade no solo da nossa
ignorância.
Se vivemos até agora
acorrentados e descobrimos que temos sido joguetes de forças cegas,
por que não lutarmos com todas as energias para nos libertarmos,
sairmos das entranhas da terra e virmos à superfície, renovados,
respirando livremente, e banhar-nos na luz da sabedoria divina, e
assim podermos desfrutar da paz com que há tantos milênios
sonhamos?
Atentos, aceitemos a
adversidade como o "agora" de nossa transformação espiritual, o novo
rumo com Jesus.
Arregimentemos nossas
forças, alimentemos nossa vontade, avivemos a chama da fé e
caminhemos em direção à esperança. Será nossa
ressurreição.
Que o mel das
aparências não mais tenha poder de nos
seduzir.
Que a luz do Cristo
ilumine nossa trajetória e possamos voltar serenos e confiantes,
como o filho pródigo.
Que assim
seja
Fonte:
"A verdade e a vida" - Cenyra Pinto

Hipóteses sobre a ação
orgânica e psicológica do ectoplasma
JÁDER
SAMPAIO
Uma análise do livro Um ‘Fluido
Vital’ Chamado Ectoplasma, de Matthieu Tubino, editado por
Publicações Lachâtre
Matthieu Tubino é um
professor da Unicamp, com sólida formação em Química, que escreveu
um pequeno livro contendo suas observações pessoais em uma reunião
de tratamento
em Centro Espírita
,
das quais se formulou um conjunto de hipóteses sobre a ação do
ectoplasma em organismos humanos.
“Segundo o resultado
desses dois estudos, trata-se de substância albuminóide unida a um
corpo gorduroso e com células análogas às que se encontram no corpo
humano. Particularmente, notável é o grande número de leucócitos; as
expectorações, por exemplo, não contêm jamais tanto. Esta matéria
lembra fortemente o líquido linfático e o quilo do corpo humano,
sem, contudo, ser-lhes idêntica”. (SCHRENK-NOTZING apud ANDRADE,
1984, p. 169.)
Baseando-se nos relatos
de sensações dos pacientes e nas observações do comportamento do
ectoplasma visível, o autor defende a existência de algumas
propriedades gerais desta substância, que seriam:
a) A semelhança aos
gases, como, por exemplo, a possibilidade de ser percebido no
organismo das pessoas como algo volumoso, que provocaria inchaço
(até ser expelido diretamente ou associado a secreções e gases do
organismo, como a coriza, a flatulência, as eructações e as
lágrimas, por exemplo);
b) Na sua apresentação
invisível, o ectoplasma seria capaz de provocar sensações e
percepções fisiopsicológicas, tais como náuseas, calores, dores,
desconfortos semelhantes aos provocados por ulcerações, sensação de
falta de ar e de excreção de líquidos (sem que as pessoas ao redor
possam ver qualquer substância);
c) O ectoplasma estaria
associado à ocorrência de fenômenos físicos (movimentos espontâneos
de objetos, formação de corpos ou parte de corpos, quando em sua
forma visível) descritos na literatura espírita, metapsíquica e
parapsicológica;
d) Ele estaria sujeito
à ação da força da gravidade, após ser expelido pelo organismo, nas
suas duas apresentações (visível e invisível).
Segundo Tubino, o
ectoplasma se acumula no organismo e isso pode desenvolver doenças
Esta última
propriedade, no estado invisível, é depreendida das sensações e
percepções de pacientes e de passistas (o autor evita este termo em
seu livro).
Tubino reafirma a idéia
de que esta substância seria produzida pelo organismo, proposta pela
literatura, e adiciona a possibilidade de estar associada à
alimentação e à ingestão de amido, com base no relato de pessoas
atendidas em seu trabalho.
Uma proposição original
do autor, com diversas implicações, é a de que o ectoplasma se
acumularia no organismo e que este acúmulo poderia até promover o
desenvolvimento de doenças.
A lista de doenças é
muito ampla, e envolve os diversos sistemas orgânicos. O autor
apresenta o relato de melhoras em pacientes submetidos ao
procedimento de retirada de ectoplasma acumulado, mas, como se trata
de pesquisa baseada em observação, não apresenta o resultado de
comparações entre o grupo experimental e o de controle, o que
dificulta a discussão do chamado efeito placebo e da formação
psicológica dos sintomas.
Haveria também uma
dimensão psicológica do acúmulo de ectoplasma no organismo, e este é
um dos temas mais polêmicos do livro. Ao abordar o tema, Tubino
destaca dois grupos de sintomas psicológicos: labilidade do humor (e
cita casos de pacientes depressivos) e tendências paranóicas (que
ele descreve como vitimização, melindres etc.). (1)
O autor faz uma
incursão na psicanálise e revê alguns casos de pacientes de Freud,
que, em sua opinião, apresentariam mal-estares semelhantes aos das
pessoas diagnosticadas como portadoras de acúmulo de ectoplasma.
Encontrando a palavra
streichen no texto freudiano, ele afirma que Freud aplicou passes
para aliviar a dor de Emmy Von R. Tubino parece desconhecer que esta
paciente pertence à pré-história da Psicanálise, período no qual
Freud aceitava a teoria do trauma, tratava através da hipnose e da
catarse e estava influenciado pela teoria da sugestão de Bernheim.
Com a mesma paciente, Freud utilizou outros recursos de base
sugestiva para fazer desaparecer os sintomas, como se lê abaixo:
“Minha terapia consiste
em eliminar esses quadros (2), de modo que ela não possa mais vê-los
diante de si. Para reforçar minha sugestão, passei suavemente a mão
por seus olhos várias vezes”. (FREUD, Obras Completas, Vol. XXII,
caso 2.)
Podem os transtornos
mentais ser explicados e tratados exclusivamente pela ação do
ectoplasma?
O caso em pauta é
importante, porque a paciente não melhora substancialmente. A
terapia hipnótica sugestiva possibilita a supressão de alguns
sintomas, mas Emmy desenvolve posteriormente outros equivalentes,
apresentando recaídas ao longo da vida. Freud entende que seus
sintomas têm origem psicológica.
A psicogênese dos
sintomas não é desenvolvida satisfatoriamente no livro. Como leitor,
fico em dúvida quanto ao alcance das afirmações de Tubino. Os
transtornos mentais podem ser explicados e tratados exclusivamente
pela ação do ectoplasma sobre o organismo? Sintomas típicos de
transtornos mentais são apenas acúmulo de ectoplasma no organismo?
As histéricas de Freud não seriam neuróticas, mas pessoas que
acumulam ectoplasma?
Matthieu Tubino defende
que “a solução do problema do acúmulo de ectoplasma está na falta de
‘equilíbrio interno’ de cada um” (p. 45) e entende que o sistema de
tratamento focalizado no ectoplasma apenas as auxiliaria a
sentirem-se melhor enquanto procuram sua própria mudança.
Subentende-se que a
mudança é uma mudança de atitudes da pessoa com base na ética
espírita e cristã.
Segue o livro e o autor
volta a perguntar-se sobre a constituição do ectoplasma. Após um
raciocínio breve, conclui que não se pode concluir que se trata de
algum gás conhecido, mas “algo diferente e, de certo modo, ligado ao
sistema nervoso”, porque se pode sentir quando alguém o toca.
Contudo, o autor não explica como ele distinguiu esta sensação de
uma sugestão psicológica.
Outra proposta ousada é
a da origem do ectoplasma nos alimentos, ar e água ingeridos. Tubino
defende a existência de um metabolismo paralelo, e apresenta como
evidência desta associação a presença de cheiros durante a liberação
de ectoplasma, como o cheiro “semelhante ao de um cinzeiro com
cigarros apagados” no ambiente em que fumantes são atendidos. Se
tivéssemos fumantes, com abstenção ou redução de uso de cigarro e
não ocorresse a liberação de ectoplasma, apenas a presença em um
outro ambiente, será que este cheiro também não estaria presente?
O autor descreve a
seguir as técnicas e cuidados empregados por sua equipe no trabalho
de liberação de ectoplasma. Preparo dos pacientes, cuidados com o
ambiente, técnicas de manuseio do ectoplasma, ação em situações em
que ocorre mal-estar, entre outros temas, são tratados com
objetividade.
A teoria dos diversos
“corpos” auxiliaria a compreensão da
origem mental das
doenças
Por fim, o autor afirma
que algumas pessoas aprendem a ter controle sobre o seu ectoplasma.
Ele cita alguns relatos de pacientes que alegam a melhora de doenças
psicossomáticas após o tratamento, mas não se aprofunda na duração
do seu bem-estar, dizendo apenas que esta depende da já citada
mudança de atitudes, como o abandono do orgulho, da vaidade, da
cobiça, da inveja, do rancor e da mágoa, entre outras atitudes
condenadas pelo pensamento cristão.
O leitor irá ler a
explicação de alguns casos de crianças que foram submetidas ao
tratamento e uma discussão sobre a relação entre o duplo etérico e o
ectoplasma. O autor defende a idéia de que a teoria dos diversos
“corpos” auxilia a compreensão da origem mental das doenças e do
funcionamento dos remédios homeopáticos.
Dois temas ainda
compõem o trabalho
em resenha. A
ectoplasmia
visível, utilizada pelos Espíritos, e um detalhamento da técnica de
tatear o ectoplasma, para fins de diagnóstico. O autor é honesto em
afirmar desconhecer o processo através do qual o ectoplasma visível
se tornaria invisível e vice-versa. Faz apenas algumas metáforas com
substâncias conhecidas que mudam de estado.
Ao concluir a leitura,
e com as reflexões da resenha, ficam mais claras as minhas dúvidas e
a contribuição do livro.
Tubino propõe idéias
que possibilitam algum avanço na prática de passes realizados nos
centros espíritas, se devidamente confirmadas. Admiro-lhe a coragem
e a honestidade intelectuais, porque no texto se percebe que ele
também tem dúvidas, mas não se furtou de sistematizar e expor suas
observações e a evolução de sua prática, o que nos possibilita
criticar, mas, mais importante, desenvolver uma agenda de pesquisas
que permita testar as idéias propostas.
Notas:
(1) Labilidade, em
Psicologia, significa instabilidade emocional: tendência a
demonstrar, alternadamente, estados de alegria e tristeza.
(2) Nesta situação, a
paciente sofria com a recordação de seus irmãos jogando animais
mortos nela, o irmão enrolado em um lençol e a visão do corpo da tia
no dia do enterro. Estas cenas surgiram em estado hipnótico.
Fontes bibliográficas:
ANDRADE, Hernani G.
Espírito, perispírito e alma: ensaio sobre o modelo organizador
biológico. São Paulo: Pensamento, 1984.
FREUD, Sigmund. Caso 2,
Sra. Emmy Von R. da Livônia. In: Edição Eletrônica Brasileira das
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Imago,
s.d.

CRIANÇAS
INDIGO
Trata-se de uma
terminologia não-espírita, referente às crianças que, nas últimas
décadas, tem nascido dotadas de maior percepção, maior inteligência,
maior sensibilidade psíquica.
Há quem se refira a estas
crianças, em alguns grupos espíritas, como crianças do terceiro
milênio, ou outras expressões.
Sabemos que há um projeto,
da dimensão extrafísica superior, para que a Terra seja promovida à
morada de espíritos mais evoluídos, deixando a classificação de
"planeta de provas e expiações " para se tornar um "planeta de
regeneração". Apesar de ser um rótulo antigo e uma terminologia do
século XIX retrata um plano da espiritualidade superior que tem dois
aspectos distintos e complementares:
1- Transferir do nosso
astro, neste novo milênio – em 1000 anos – os habitantes que se
comprazem no "mal ", para outro astro menos
evoluído.
2 - Este projeto também
apresenta um outro lado da moeda, ou seja, a reencarnação de
espíritos mais lúcidos, inteligentes e amorosos que são as ditas
crianças do terceiro milénio. São, portanto, espíritos mais
experientes, logo mais irrequietos e questionadores porém com maior
bagagem nos porões de seu inconsciente.
No entanto, convém lembrar
que sejamos mais evoluídos, ou não, ao reencarnarmos necessitamos
que alguém nos ensine, novamente, os rudimentos do relacionamento
social, do comportamento ético, e até como nos comportarmos frente a
higiene.
Digo isto porque há quem
trate estas crianças de modo diferente o que é um grave erro. Ao
renascermos estamos nos expressando por um corpo biológico e um
cérebro com limitações da faixa etária e como tal devemos, enquanto
crianças, ser submetidos a disciplina, embora sempre temperada com
muito carinho. Crianças Índigo, ou não, serão adolescentes, que
podem perder a tonalidade de sua coloração psíquica passando a ser
de outros matizes menos éticos, pois, há até espíritos que
planejados como missionários desviam-se do caminho e tornam-se
elementos não úteis a sociedade planetária. Acrescente-se,
igualmente, a indicação de que se oportunize a estas crianças ÍNDIGO
crescente acesso as fontes de conhecimento, mas sobretudo de
espiritualidade não revestida de rótulo
religioso.
Dr. Ricardo di
Bernardi

ENTRAVES FELIZES
Não enfatizes, em
demasia, os obstáculos humanos, porque, em muitos lances da
existência, os entraves do caminho se revestem de natureza
providencial.
A festa que
perdeste foi o meio de que se valeram os benfeitores espirituais
para evitar-te o encontro com alguém, cuja influência apenas te
envolveria em complicações.
A herança a que
tinhas direito e que, por várias circunstâncias, não pudeste
receber, terá sido um peso fatídico retirado de teus
ombros.
O encontro marcado
que não se efetuou decerto te liberou aborrecimentos e
prejuízos.
O companheiro que
se afastou, conquanto te lastimes, foi o estímulo para que te
desvencilhasses de ruinosa dependência.
O órgão doente que,
porventura, ainda carregues, é a peça de controle, a fim de que não
te percas da ponderação e do
equilíbrio.
Em todos os
episódios que te pareçam contrários, guarda serenidade e paciência,
porquanto dia virá no qual reconhecerás que todos os obstáculos que
te impediram o acesso ao que mais desejavas e não tiveste, foram
bênçãos de Deus para que hoje usufruas as vantagens que
tens.
(De "Jóia", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito
Emmanuel)

EQUILÍBRIO
Tu te revoltas e a
tua revolta provoca em ti danos físicos e espirituais.
Tu te magoas com a
palavra mais viva, e a mágoa é o início de um processo que, se não
detido a tempo, evoluirá para o rancor, a ira, e assim prosseguirás
até seres atingido pela obsessão cruel.
Tu te angustias
pela insegurança da tua sobrevivência na batalha profissional e a
tua angústia levar-te-á ao desequilíbrio entre os teus pares.
Desanimas em frente
aos múltiplos obstáculos que surgem, dificultando-te os nobres
propósitos; o desânimo, entretanto, emitirá fluido denso a
contaminar aqueles que, imbuídos de boa vontade, ser-te-iam
valorosos auxiliares.
Tu te entristeces
observando apenas as nuvens negras da desilusão e a tristeza é o fel
do alimento que ingeres.
Tu te afliges
dilatando através da ótica do desespero os teus problemas, mas a
aflição tornar-se-ia menor se observasses a dor alheia.
Escutas as vozes
maliciosas, os comentários apressados e te deixas envolver pela
vibração alterada de espíritos levianos. Esqueces a serenidade do
Evangelho que te concita à oração e ao silêncio.
Opõe a estes
sentimentos negativos o medicamento do otimismo, da alegria, da
conformação, da serenidade, do bom senso, do perdão e da caridade e
verás resolvidas a maior parte das tuas
aflições.

O MÉDIUM PODE FUMAR? BEBER?
De maneira geral, pode-se afirmar que os Espíritos
similares se atraem, e que raramente os Espíritos das plêiades
elevadas se comunicam por maus condutores, quando podem dispor de
bons aparelhos mediúnicos, de bons médiuns, numa
palavra".
O Livro dos Médiuns - Allan Kardec (Cap. XX, questão
230). Fumar ou beber não constituem necessidades básicas para o
homem. Antes, são fatores de decadência orgânica e moral, quando o
excesso passa a dominar o que era moderação. O homem que sente a
necessidade de um vício, quando este lhe subtrai cotas de fluidos
vitais a troco de uma calma ilusória ou euforia efêmera, ainda
precisa educar-se emocionalmente para superar as frustrações ou
enfrentar situações rotineiras, sem imaginar a fuga como solução.
Diz-se que o mal está no excesso. Mas o excesso é relativo a cada
indivíduo. Para alguns, uma simples dose é excessiva. Para outros
uma garrafa é suportável. O que toma uma dose para almoçar, repete o
gesto sete vezes por semana, trezentos e sessenta e cinco dias por
ano. Estará tal quantidade alcoólica compatível com os padrões
orgânicos? E quando a droga causa dependência? E quando deixa no
indivíduo fluidos que podem ser transferidos a outrem? E quando
submete certos órgãos a uma sobrecarga de trabalho? E quando
alimenta a morbidez, a violência?
Atrás da afirmativa de que o mal está no excesso,
falso atenuante para amenizar a acusação da consciência, esconde-se
extenso rol de argumentos que a desmentem na maioria das ocasiões.
Explico pelo enfoque mediúnico, cuja abordagem nos lembra, de
imediato, as companhias espirituais que atraímos e cultivamos pelos
pensamentos e ações. Falo do passista, que poderá inverter o
processo curativo, quando, pelo uso do livre-arbítrio, houver tomado
uma única dose no dia do seu trabalho espírita. Comento pelo
trabalhador da mediunidade, a exigir dos técnicos espirituais
extensos labores para higienizá-lo, e pelo tratamento inadequado ao
enfermo carente de fluidos vitais assepsiados, quando os recebe
mesclados de substâncias tóxicas. Interpreto pelo doutrinador,
desarmado ante a ofensiva do obsessor ao lembrá-lo de sua impotência
diante do vício. Critico pela falta de bom senso, quando, conhecendo
o suicídio involuntário, tais usuários de venenos a conta-gotas nada
fazem para afastá-los dos roteiros cármicos a que se
vinculam.
Se alguns consideram "chique" tomar uma bebida ou
fazer-se de chaminés ambulantes, é um direito a que podem recorrer.
Todavia, como atrelado a cada direito existe um dever, é útil
lembrar o dever da conservação do corpo, que se desgasta a cada gole
ou baforada. O problema é, pois, de conscientização. Sendo a sala
mediúnica local de terapia intensiva, aquele que não se encontra em
condições de nela operar que se abstenha de contaminá-la. Nesse
caso, não atrapalhar já é ajudar. E, se alguém entrar no recinto
eivado de fluidos densos provindos do vício social do tabagismo, do
alcoolismo e do pensar desregrado, que se prepare para enfrentar
pesados débitos contabilizados em seu nome, nublando-lhe o futuro, a
prenunciar temporais com acidentes.
Cuide-se o desatento! O tempo, que tece a vida, não
costuma esquecer os infiéis, nem ser ingrato aos que lhe honraram
com fidelidade.
(Do Livro "Mediunidade - Tire Suas
Dúvidas" - Luiz Gonzaga Pinheiro).

Leis
Imutáveis
Acostumado que estava a
tudo resolver com dinheiro, um dia Raul se viu às tontas com um
processo judicial, acusado de assédio sexual e estupro por sua ex
secretária. Contratou o melhor advogado da cidade que cobrava o
preço de um boi, por um bife apenas, mas como, para ele dinheiro não
era problema...
A moça que sempre fora
humilhada pelo patrão e demitida sem culpa, acusada de roubo, para
poder justificar falcatruas do mesmo, revoltou-se e resolveu achar
provas falsas para se vingar.
Chegado o dia do
julgamento, Raul foi condenado, pois as provas foram bem elaboradas
e convincentes. Embora pudesse recorrer da sentença, ele enlouqueceu
e aconselhado por um amigo, foi ter num Templo de Umbanda, onde
buscaria, através de macumba, a solução do problema e mais, queria
mesmo acabar com a vida daquela moça que ousara
desafia-lo.
Em frente ao Caboclo, ele
desfilou seu rosário e até fez verter algumas falsas
lágrimas:
-Preciso de um trabalho
forte, pois sou inocente. Nunca encostei um dedo naquela moça, até
porque ela é feia demais para os meus padrões. Estou sendo
injustiçado.
O Caboclo de Ogum que o
atendia, vendo através da cor de sua aura a inferioridade espiritual
daquela criatura, bem como as companhias que o assessoravam no lado
energético, perguntou:
-Se o senhor se acha
injustiçado, por acaso saberia me dizer se na sua vida diária, age
com justiça?
-Lógico. Eu sou um homem
de bem - Falou isso, mas estremeceu diante da pergunta
-E acaso, sua consciência
não tem nada a lhe acusar, não nesse caso do qual é inocente mesmo,
mas nos outros tantos que ao longo de sua vida vem desenrolando
sempre do jeito mais fácil? – voltou a inquirir o caboclo. E
continuou:
-Filho de Deus, a justiça
dos homens pode ser falha, mas existem leis que agem no Universo e
pode tardar, mas sempre conduzirão os homens à retidão. Não se
planta ventos sem colher tempestades. Reveja seus atos e entenda
porque alguém usou a mesma espada de que foi ferida, para lhe ferir.
Ela não está agindo corretamente, mas como os semelhantes se atraem,
as leis imutáveis usaram de sua falta de caráter, para atingi-lo e
isso está sendo usado para que possa acordar enquanto é tempo e
mudar o rumo de suas atitudes.
-Como o senhor pode me
acusar se não me conhece? Sabia que posso abrir um processo por
difamação...
-Sei. Tanto sei que estou
lhe falando de leis. Sabe filho, quem está aqui lhe aconselhando
através deste médium, que é pessoa humilde e semi-analfabeto, é um
espírito que errou muito quando encarnado. Errou tanto que precisou
da força da lei para lhe frear. Embora letrado nas leis, era
injusto, ladrão, medíocre, desrespeitava as leis e a sociedade.A dor
veio várias vezes como aviso até que uma condenação por algo injusto
me fez terminar os dias num cárcere. Desencarnado, ainda a lei me
levou a refletir e passei por maus momentos, até que acordei.
E revi tudo que havia
aprendido e mal usado. Fui para as escolas de reaprendizagem no
mundo astral e me comprometi em trabalhar de forma humilde, junto
aos humildes e nesta egrégora de Ogum, onde a Lei é a tônica.
Aqui do outro lado da
matéria, exercemos a lei de forma justa e imutável pois não temos
mais a matéria para acobertar nossos atos.Por isso filho de Deus,
acorda enquanto é tempo e não desafia mais a
lei.
-Vim aqui para resolver
meu caso e não para escutar conselhos idiotas, pois estes eu tive na
faculdade daqueles professores medíocres e pobres. Fica aí com suas
diretrizes que eu vou é procurar quem me ajude de verdade, pois
tenho muito dinheiro para pagar por isso.
-Vai filho,procura seu
caminho, mas não esqueça que a liberdade exige de nós, responsabilidade. As leis de
Deus são justas e ignoram o poder monetário dos
homens.
Saiu dali, procurou e
achou quem lhe fizesse a macumba. Alguém que como ele, estava tão
endividado com a Lei Universal, que o atraiu por magnetismo. Coisa
que de nada mais adiantou, pois ele já estava emaranhado nas malhas
da Lei. Foi condenado em última instância e teve bom tempo para
refletir dentro do cárcere, no quanto foi fácil ganhar dinheiro
injusto e na rapidez com o perdeu tentando se
defender.
O conselho dos guias é dado,
mas não existe insistência. O aprendizado sempre se dará por vontade
própria. Como bem falou Jesus: -“Não se jogam pérolas aos
porcos!”
Inspirado por um Caboclo de
Ogum.
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