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Tentando Explicar o Trabalho de Exu na
Umbanda
Iassan
Ayporê Pery- Dirigente do Centro Espiritualista Caboclo
Pery
Na Umbanda a origem de Exu está em função da necessidade de
existirem guardiões, encaminhadores e combatentes das forças
trevosas. Trabalho básico da Umbanda. Por isso se diz que “Sem Exu
não se faz nada”. Isso não porque Exu não deixa, porque é vingador,
traíra ou voluntarioso como querem fazer pensar algumas lendas sobre
Exu, mas sim porque não há como combater forças trevosas sem defesa
e proteção.
Então pode vir a pergunta: “Então nossos guias (caboclos e
pretos velhos) não nos protegem e defendem?” Claro que protegem e
defendem, entretanto cabe a Exu o primeiro combate, o combate direto
contra as energias que circulam no Astral Inferior. Esta é a
especialidade de Exu, pois conhece profundamente os caminhos e
trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira, assim
como a dos Caboclos e Pretos Velhos é a de nos orientar e
aconselhar.
Tudo na Umbanda é organizado, coerente e
lógico.
Tendo isso em mente, um segundo mito a ser desfeito diz
respeito a confiabilidade de Exu. Como disse anteriormente, Exu não
é traíra! Qual a lógica de Orixá e entidades de luz o colocarem como
guardião, defensor se ele fosse “subornável”, se ele não fosse
confiável?
Seguindo o mesmo raciocínio outro mito que não tem base
alguma é “Exu tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem
pede. Nós é que somos os maus na história”. Não existe “defesa” pior
para Exu do que esta, pois trata-se de outra incoerência! Se uma
criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exu, conhecedor de
segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de
forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o
bem e do mal e o que é pior trair a confiança de Caboclo e Pretos
Velhos? E ainda por cima não ter nenhum tipo de aspiração evolutiva,
ou seja, ficar sempre entregue a mercê de nossa vontade nunca
aspirando evoluir?
Aí vem outra pergunta: “Mas eu fui num terreiro e disseram
que o trabalho contra mim foi feito por um Tranca Ruas”. Resposta: o
trabalho foi feito por um obsessor se passando por Tranca Ruas.
Aliás, obsessor se passa por tudo, inclusive por enviado de Orixá,
como Caboclo e Preto Velho.
E por que isso acontece? Por causa de médiuns invigilantes.
Médiuns pouco compromissados com o Astral Superior, médiuns e
dirigentes ignorantes. Médiuns e dirigentes que buscam os terreiros
de Umbanda para satisfazer as suas baixas aspirações, como válvulas
de escape para fazerem “incorporados” o que não tem coragem de fazer
de “cara limpa”! Médiuns de moral duvidosa que gritam, xingam,
bebem, dançam de maneira grotesca para uma casa religiosa e imputam
a Exu esses desvarios. Caso estejam realmente incorporados estão na
realidade é sofrendo a incorporação de kiumbas (que são espíritos
moralmente atrofiados ou que buscam apenas tumultuar o ambiente).
Nunca um Exu ou Pomba Gira de verdade irá se prestar a um papel
desses.
Outro ponto que gera muita confusão diz respeito a
incorporação de Exu, pois já ouvi a pergunta: “Se ele é guardião,
quando está incorporado não está “guardando” nada.” Novamente a lógica e a
coerência devem falar mais alto do que a ignorância e a
incredibilidade.
O Exu Guardião não é o que incorpora nos terreiros. Os que
incorporam são Exus de Trabalho (como eu costumo chamar), de defesa
pessoal do médium. Esses Exus também participam dos trabalhos junto
aos Exus Guardiões e Amparadores no combate as forças do Astral
Inferior, mas os Exus de Trabalho tem um outro tipo de compromisso
que é com a Banda do médium e para com a Casa a qual o médium está.
Por isso respeitam o templo religioso e não induzem o médium a
embriagues, algazarra ou a comportamentos chulos e
deselegantes.
São espíritos de luz em busca de evolução. Que estão
altamente compromissados com as esferas superiores, com os guias e
protetores do médium e com toda a egrégora de luz da Casa na qual o
médium está inserido. Trabalhando diretamente com esta egrégora eles
auxiliam no combate e encaminhamento dos espíritos que são atraídos
pela corrente de desobsessão do terreiro que fazem parte. A exemplo
de Nossa Casa os Exus de Trabalho de cada médium participam
diretamente dos trabalhos realizados pela Corrente de Desobsessão e
Cura de Caboclo Pena Branca.
Entretanto, cabe lembrar, que o estágio evolutivo de Exu de
Trabalho está abaixo de Caboclo e Pretos Velhos. Isso não significa
que não sejam evoluídos apenas encontram-se num estágio abaixo. Sua
energia é mais densa. Conseqüentemente a sua vibração ou energia de
incorporação está mais próxima (ou mais similar) a vibração de
terra, exigindo do médium um nível de elevação diferenciado do que
quando vai incorporar um Caboclo ou Preto Velho ou até mesmo outro
enviado de Orixá. Ou seja, quando o médium se prepara para a
incorporação, ele tem que se concentrar e elevar a sua própria
vibração, enquanto a entidade incorporante baixa a sua. Quanto mais
evoluída for a entidade incorporante, mais sutil é a sua energia e
mais exigirá do médium concentração e elevação para a
incorporação.
Outro aspecto a ressaltar é que esse estágio evolutivo não
impede Exu de trabalhar conjunta e harmoniosamente com entidades
mais evoluídas, até porque além de trabalharem sob as suas ordens,
ou seja, sob as ordens de enviados de Orixá, a questão “hierarquia”
é muito bem resolvida no Astral Superior. Lá não existem “disputas”
pelo “poder” ou se questiona quem “manda”. Todos estão conscientes
de seus papéis e do trabalho que precisa ser realizado, além de
trabalharem com um mesmo objetivo, a Caridade!
A palavra de ordem de Exu é “compromisso”! Por tudo isso ele
não é e nem nunca foi traidor ou do “mal”.
Sobre a Incorporação de
Exu
Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem
se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo
na alegria não há desrespeito ou comportamentos inadequados a um
templo religioso.
E ainda vou mais longe, e o que vou dizer agora visa
justamente desmistificar outro mito ligado a Exu. Quando o Exu é
deselegante o médium também o é, só que disfarça quando não está
“incorporado”.
Esse médium invigilante e portador de moral duvidosa ao
receber a energia de incorporação de Exu (que começa a se dar
através da aproximação do mesmo), por ser uma energia bastante
similar a nossa e justamente por estar mais próxima a crosta
terrestre, onde o combate com o Astral Inferior se dá, passa a dar
vazão aos seus sentimentos menores, influenciando e interferindo
diretamente na incorporação do Exu, que assiste a tudo
desconsoladamente. Transferindo para Exu sentimentos e
comportamentos que são seus.
Isso não chega a ser mistificação, ou seja, fingimento,
porque existe a energia de Exu ao lado ou perto do médium. A
mistificação envolve o fingimento puro e simples, sem envolvimento
de energia ou proximidade de entidade alguma. Mas trata-se de
animismo.
A incorporação de Exu e Pomba Gira envolve a manipulação
energética de chacras inferiores, e o que acontece no caso descrito
acima é que o médium deliberadamente utiliza mal essa energia. Digo
deliberadamente, porque isso envolve intenção, moral e mal
aproveitamento da energia de Exu.
Com a continuidade da insistência do médium em se utilizar
dessa energia para a manifestação de seus desejos e aspectos
menores, em pouco tempo há a queda do médium... O Exu se arranca e
fica o que? Kiumba que assume o nome do Exu e aumenta os
desvarios... E o médium não percebe porque no fundo usa a influência
do kiumba (aliás, um usa o outro) para brigar com a mulher, encher a
cara de cachaça, falar palavrão, fazer pedidos de oferendas nas
encruzilhadas da vida, matança de animais e outras aberrações.
Cabe a direção da Casa coibir veementemente esses
comportamentos no seu nascedouro, ou seja, no médium e assim que
começam acontecer. Chamando-o a realidade, orientando e
desestimulando atitudes desse tipo. Tentando recuperar o médium. Mas
se for o caso não deve pestanejar em tomar medidas drásticas para a
solução do problema.
Sobre a capacidade de
manipulação energética de Exu
Voltando a questão energética de Exu, já falamos que ele é um
grande manipulador de energias, transfigurando-se em formas
diferenciadas de acordo com o ambiente em que está.
A exemplo disso vemos Exu se apresentando aos obsessores que
irão combater em configuração que desperte medo e/ou respeito. Ele
não poderia se apresentar a um “inimigo” como se fosse uma linda
Cinderela... Isso não assustaria ninguém, então ele assume sim
formas rudes, entretanto ele o faz por estratégia e não por serem
deformados, e muito menos eles tem chifres, rabos e pés de bode como
são tão mal retratados nessas imagens que encontramos em casas de
artigos religiosos.
Como Exu manipula energias para assumir outra configuração
“física”? Em primeiro lugar há que se dizer que a forma original de
Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que
compõe a falange de Exu são espíritos como nós, muitos são
contemporâneos inclusive.
Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois
olhos, enfim... Assim como nós. Foram homens e mulheres normais das
mais variadas
profissões.
Bem, em primeiro lugar em função do trabalho que irá executar
ou da “batalha” que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar,
em seguida vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar,
estuda os seus “adversários”, suas intenções, seus planos, seus
graus de compreensão, seus medos,
etc.
Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá
atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater.
Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos
sob a supervisão direta de um enviado de
Orixá.
Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas
diferentes de energia.
E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de
sacrifícios de animais e despachos em encruzilhadas, porque quem
“recebe” tudo isso é kiumba!

EXÚ O Agente da Justiça
Kármica
Thashamara – Umbanda do
Cruzeiro do Sul
Estamos habituados a assistir a visão distorcida de muitos sobre o
Exú Guardião, não só pelas práticas inadequadas de preceitos, como
também pela realização de cultos e oferendas, como se os mesmos se
comprazessem destes ritos. A ignorância de muitos ou mesmo o
dolo de alguns, geram dúvidas, incertezas ou mesmo medo.
É,... se
houvesse uma tentativa mínima para compreender a sua função, dentro
do equilíbrio da Lei Divina, a grande maioria teria uma enorme
surpresa. Para os que compreendem com maior profundidade as
entrelinhas das Tradições, poderão observar que nos processos
reencarnatórios, os Exús cumprem o papel fundamental para sua
ocorrência, ou seja, se estamos encarnados, é por decorrência das
suas especialidades.
Além
deste aspecto, os Exús (de Lei ou Guardiães) cumprem a sua missão
através da execução da Justiça. Eles estão acima dos princípios do
Bem ou do Mal, pois em nosso Universo, o Mal, por enquanto, é
o predominante. Se pararmos um pouco para refletir, veremos que
o ser encarnado, procura extrojetar a sua consciência em outras
pessoas ou objetos, quer dizer, realiza o "espelho" de sua
consciência.
O
maniqueísmo (bem x mal) é apenas o estado das consciências dos seres
espirituais encarnados ou não, propiciado pela egrégora do
inconsciente coletivo, que vem sendo construída a partir da terceira
raça, a Atlantiana, que fixa conceitos e imagens, que deturpam e
distorcem a verdadeira função de Exú. Nos cinco continentes,
práticas deletérias de feitiçarias e bruxarias vêm impregnando
determinados conceitos, criando imagens disformes e esdrúxulas,
projetando e estimulando o mal, que está na própria consciência das
pessoas. E, em muitas regiões, esse mal está totenizado, ou seja,
extrojetado em estranhas estatuetas com cornos na fronte, pés de
animais, ossos,...
Entretanto, cabe um alerta importante, o inconsciente coletivo, pela
própria desarmonia dos pensamentos, plasma o mal que cada um de nós
carrega e, para fugir da responsabilidade individual, cada um
transfere psiquícamente para outra pessoa ou objetos, os "demônios"
que seriam nós mesmos, nossas consciências ou nós mesmos
desencarnados.
Não se
deve esquecer, que somos responsáveis por essas "criações" e que por
tanto serem idealizadas, elas ocorrem do outro lado da vida e
vice-versa. E, animados em uma corrente mental pesada e negativa,
essas formas anômalas acontecem, fazendo com que você desça mais na
escala de densidade vibracional. E, as humanas criaturas por sua
vez, que se sintonizam mentalmente a isso, embora tenham, um corpo
físico às vezes aparentemente normais, quando se desdobram do corpo
astral, ficam da mesma forma animalizados. Assim, para os que
vêm Exú como parte disso, como dizem por aqui, "podem tirar o
cavalinho da chuva", pois Exú atua na paralela passiva da Lei,
denominada de Quimbanda, pois as ações devocionais a seres
mencionados acima, estão na Kiumbanda, onde são encontrados seres
com aspectos até mais indescritíveis de anomalias. Estes, são ainda,
insubmissos a Lei, a Luz... mas por enquanto.
A
nossa inteligência não pode concordar, que os seres que nos
assistem, permitam praticar o bem e o mal em um mesmo local. Seria
no mínimo idiota e os mesmos seriam volúveis a tal ponto de ajudar
com uma mão e agredir com a outra. Não se esqueça, que Exú é
Serventia dos Orixás e os mesmos seguem as orientações emanadas por
Criança, Caboclo e Pai Velho.
Para
finalizar, se você vier pedir a um Exú de Lei para prejudicar
alguém, pode estar certo que você será o primeiro a levar a execução
da Justiça. Mas, se a entidade travestida ou disfarçada de Exú
aceitar o seu pedido,... bom, vamos nos encontrar no outro lado...
Você será apenas cobrado!
Elegbá babá
Esuriá Mo-Ju-Ibá
Com
votos de profunda paz nos seus pensamentos, irradiante alegria nos
seus sentimentos e harmonia nas suas ações, com prosperidade, força
e minha benção.
Tashamara

QUEM
ÉS, EXU?
Norberto
Peixoto – Choupana do Caboclo Pery
O Exu que ditou esta mensagem é mais um dentre tantos
que se denominam Exu Tiriri Rei da
Encruzilhada e labutam em prol da Divina Luz,
nossa amada Umbanda. Quem és, oh Elegbara!? Que com teu falo
em riste deixava estupefatos os zelosos sacerdotes do clero
católico. Só pode ser o demônio infiltrado nestas tribos
primitivas que habitam o solo árido da África, gritavam os
inquisidores zelosos. Negros sem alma, que só pensam em se
reproduzir, em ofertar para a fertilidade da lavoura, levem-nos para
o Brasil e vendam-nos como escravos que lá aprenderão as verdades
dos "céus". Cá chegando, quem és, Exu, "orixá" amaldiçoado pela
dualidade judaico-católica, que não pôde ser sincretizado com os
"santos" santificados pelos papas infalíveis... Quem és, Exu, que
os homens da Terra determinam que não é santo e por isto é venerado
escondido no escuro das senzalas e seus assentamentos ficam
enterrados em locais secretos? Quem és, Exu, que o vento da
liberdade que aboliu a escravidão "enxotou" para as periferias da
capital de antanho? Quem és, Exu, que o inconsciente do
imaginário popular vestiu com capa vermelha, tridente, pé de bode,
sorridente entre labaredas, que por alguns vinténs, farofa, galo
preto, charuto e cachaça, atende os pedidos dos fidalgos da zona
central que vêm até o morro em busca dos milagres que os santos não
conseguem realizar? Quem és, Exu, que continua sendo "despachado"
para não incomodar o culto aos "orixás"? Exu, é entidade? Então
não entra dizem os ortodoxos que preconizam a pureza das nações.
"Aqui não tem
lugar para egum...espírito de morto..." Exu, fique na tronqueira.
Médiuns umbandistas pensem nos caboclos e pretos velhos, não recebem
estes Exus, admoestam certos iniciados chefes de terreiro. Eles são
perigosos para os iniciantes. Sim, estes iniciantes e iniciados
que pelo desdobramento natural do espírito durante o sono físico vão
direto para os braços do seu quiumba – obsessor- de fé, e saem de
mãos dadas para os antros de sexo, drogas, jogatinas e outras
coisitas prazeirosas do umbral mais inferior. Noutro dia,
sonolentos e cansados do festim sensório, imputam a ressaca ao
temível Exu. Oh! Quantas ilusões!!!!!! Afinal, que és tu,
Exu? Por que sois tão controverso?
”Eu mesmo vos respondo...Iah, ah, ah,
ah.... Não sou a
Luz... Pois a
Luz cristalina, refulgente, só a de Zambi, Olorum, Incriado, Deus,
seja lá que nome vocês dão... Não sou a luz...Mas sou centelha que
refulge. Logo sou espírito em evolução.
Esta não é uma peculiaridade nossa, só dos Exus, mas de
todos os espíritos no infinito cosmo espiritual. Afirmo que não
existe espírito evoluído,como se fosse um produto acabado. Todos os
espíritos, independente da forma, estão em eterna evolução, partindo
do pressuposto que só existe um ser plenamente perfeito, um modelo
de absoluta perfeição, o próprio Absoluto,
Deus. Assim,
perante os "olhos" de Olurum, sou igual aos pretos velhos, caboclos,
baianos, boiadeiros, ciganos, orientais... As distinções preconceituosas ficam por
conta de vocês. Não sou a luz, mas tenho minha própria
luminosidade, qual labareda de uma chama maior, assim como todos
vós. Basta tirar as nódoas escuras do candeeiro que vos nublam o
discernimento que podereis enxergá-la, lá dentro de vós, o que
chameis de espírito. Há algo que me distingue dos demais
espíritos. É o fato de eu não estar na luz. Meu habitat é a
escuridão. Os locais trevosos onde há sofrimento, escravidão,
dominação coletiva, magismo negativo, castelos de poder alimentados
pelo mediunismo na Terra que busca a satisfação imediata dos homens,
doa a quem doer. O que eu faço
lá? Eu, um Exu,
entre tantos outros, levo a luz às trevas, qual cavaleiro com
candeeiro em punho. Dentro da lei universal de equilíbrio, eu
abro e fecho, subo e desço, atuo na horizontal e na vertical, no
leste o no oeste, atrás e na frente, encima e embaixo, impondo
sempre o equilíbrio às criaturas humanizadas neste planeta,
encarnados e desencarnados aos milhões. O Cosmo é movimento, nada está parado,
nada é estático. Eu sou movimento. Não sou as ondas do
mar, mas eu as faço movimentar-se...Não sou as estrelas na abóbada
celeste, mas meu movimento faz a sua luz chegar até as retinas
humanas...Não sou o ar que perpassa as folhas, mas as suas moléculas
e partículas atômicas são mantidas em coesão e movimentadas pela
minha força.... Iah,
ah, ah... Este
equilíbrio não se prende as vontades humanas e aos vossos
julgamentos de pecado, certo ou errado, moral ou imoral. Eu atuo no
contínuo temporal do espírito e naquilo que é necessário para a
evolução, retificando o carma quando justo. Se tiverdes programado
nesta encarnação serdes ricos, o será com axé de Exu. Se for o
contrário, se em vida passada abusou da riqueza, explorou mão de
obra, matou mineiros e estivadores de canaviais, estuprou
escravas, é para o equilíbrio de vosso espírito serdes mendigo
infértil. Nascerás em favela sentindo nas entranhas o efeito de
retorno, com axé de vosso Exu que vos ama, assim como um elástico
que é puxado esticando e depois volta à posição de repouso inicial,
estarei atuando para que seja cumprida a Lei de Harmonia Universal,
mesmo que "julgueis" isto uma crueldade. Eu, Exu, vos
compreendo. Vós
ainda não me compreendeis. Eu sou livre, livre e
feliz. Vós sois
preso, preso e infeliz no ciclo das reencarnações
sucessivas. Eu
dou risada. Iah, ah, ah, ah !!!!”
Sabe
por quê?
Porque eu sei que
no dia que o Sol não mais existir, vosso planeta for mais um
amontoado de rocha inerte vagando no cosmo, estaremos vivos, vivos,
muito vivos, evoluindo, evoluindo, sempre
evoluindo.
Assim como vim para a Terra como
caravaneiro da Divina Luz há milhares de anos atrás, assim iremos
todos para outro orbe quando este planeta
"morrer".
Quando este dia chegar, vós estareis um
pouco menos iludidos com as pueris verdades emanadas dos homens e
seus frágeis julgamentos religiosos.
Eu, Exu, vou trabalhar arduamente para
quando este dia chegar, vós estejais menos iludidos e quem sabe
livre da prisão do escafandro de carne, assim como eu sou livre,
livre, livre e feliz.
Iah,
ah, ah, ah, ah.
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